Vinhos da Toscana: conhecendo os principais tipos

por | mar 16, 2021

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A Itália é um lugar mais do que especial por diversos motivos: as cidades históricas, as paisagens deslumbrantes, a comida sempre boa e… sim, você adivinhou: os vinhos da Toscana! Hoje vamos falar um pouco deles e sobre porque são tão especiais (e em alguns casos, bem caros).

Cachos de uvas na Toscana. Uvas em Greve in Chianti.

Vinhos da Toscana: Vista aérea de vinícola na Toscana, Itália. Vista aérea de vinícola na Toscana.

Os vinhos da Toscana

O país como um todo é uma potência nesse ramo. Segundo o excelente livro Wine Folly: Magnum Edition, a Itália tem mais de 500 variedades de vinho. Além disso, é o maior produtor mundial, alcançando 47,5 milhões de hectolitros em 2019 (cada hectolitro equivale a 100 litros, ou seja: são 4,7 bilhões de litros. Em um ano! O Chile e a Argentina juntos produzem metade disso. Ou seja, eles gostam de um vinhozinho!

A Itália tem diversas regiões e vinhos excelentes: os Barolo no Piemonte, os Primitivo de Puglia, os Valpolicella de Vêneto, só para citar alguns. Mas a Toscana reúne, num só lugar, pelo menos 3 grandes vinhos italianos: Brunello di Montalcino, Chianti e Vino Nobile di Montepulciano. Vamos falar um pouco deles e, mais especificamente, dos vinhos que experimentamos lá, bem como das vinícolas e lugares pra comprar vinho.

Criança comendo uvas em Greve in Chianti. Tin comendo uvas em Greve in Chianti.

Antes de começarmos, é interessante ter uma coisa em mente: vinhos são levados muito a sério lá. Na Itália, assim como em outros países, há regras específicas para sua classificação. Lá, essas regras são, geralmente, relativas à região produtora e ao tipo de uva. As regiões mais nobres são chamadas DOCG (Denominazione di Origine Controllata e Garantita). Não por acaso, produzem as bebidas mais caras também… mas é possível encontrar vinhos excelentes fora dessas regiões.

Brunello di Montalcino, um ícone entre os vinhos da Toscana

Esse é um clássico dos clássicos entre os vinhos da Toscana. Feito com a uva Sangiovese na região de Montalcino, são vinhos bastante intensos e com alto teor de tanino. Ele precisa passar, pelo menos, 24 meses em barril de carvalho e mais 4 meses na garrafa. Na prática, muitos deles ficam mais tempo envelhecendo, o que os torna ótimos vinhos para guarda. Um bom Brunello vai melhorar bastante com a idade (até certo ponto, como todo vinho. Demore demais e ele perde a qualidade. Mas no caso dos Brunello, eles aguentam 10, 20 anos de guarda, às vezes mais). 

Resumindo: para ser considerado um Brunello, o vinho precisa:

  1. Ser produzido na região de Montalcino
  2. Ter 100% de uva Sangiovese;
  3. Passar pelo tempo mínimo de envelhecimento.

E se o vinho não cumprir essas características, pode ser produzido e comercializado? Sim, só não será considerado um Brunello. Lá eles produzem também, por exemplo, o Rosso di Montalcino, que é uma versão mais leve e barata, que também é feito com Sangiovese, porém com menos tempo de envelhecimento.

Com todas essas exigências, dá pra perceber que Brunellos não são vinhos baratos de se produzir. E, de fato, estão entre os vinhos mais caros da Itália.

Aqui no Brasil, é muito difícil achar um por menos de R$300 (e o céu é o limite). Lá na Itália, a maioria começa a partir de 30-40 euros (mas há exceções e vamos falar delas).

Tomamos poucos Brunellos lá, especialmente nas degustações das vinícolas. Experimentamos três da Patrizia Cencioni (Riserva 123 e o “normal” de duas safras diferentes), o da Cantina di Montalcino. Todos muito bons, mas realmente são vinhos que vão melhorar com o tempo.

Vinhos da Toscana: Barricas de vinho na vinícola Patrizia Cencioni. Barricas de vinho na vinícola Patrizia Cencioni.

Vinhos da Toscana: Mulher em frente a um barril de vinho na vinícola Viticcio
Vinícola Viticcio.

Chianti, um vinho italiano clássico e delicioso 100% sangiovese 

Os vinhos Chianti são produzidos – você adivinhou! – na região de Chianti, que fica no centro da Toscana. A base também é a mesma uva, mas ele não precisa ser 100% Sangiovese: a partir de 80%, já pode ser considerado um Chianti. Dependendo do tempo de envelhecimento, pode ser “Reserva” ou “Superior”. São vinhos, em geral, com menos taninos e mais acidez do que os Brunello. Na minha opinião, são um pouco mais fáceis de beber. 

Esse foi, sem dúvida, o estilo que mais experimentamos. Fomos em algumas vinícolas nessa área, como a Viticcio, Vignamaggio e Antinori. Além disso, é mais fácil achar bons Chiantis com preço mais acessível. Gostamos bastante dos vinhos da Viticcio (e os da Antinori também são muito famosos – e caros! -, mas só experimentamos o mais simples deles).

Vista aérea de vinícola na Toscana. Vista aérea de vinícola na Toscana.

Família na vinícola Vignamaggio, Toscana
Bruna e Tin na vinícola Vignamaggio.

Vinhedos na visita à vinícola Antinori Vinhedos na vinícola Antinori.

Pai e filho em vinhedo na vinícola Antinori Eu e Tin entre vinhedos na vinícola Antinori.

Vino Nobile di Montepulciano

Produzidos próximos à cidade de Montepulciano, eles devem ter pelo menos 70% de Sangiovese e envelhecimento de 2 anos. Tenho a impressão de que eles são um pouco menos conhecidos do que os Brunello e Chianti (e por acaso, foi o que menos experimentamos). Não é o meu estilo favorito, mas vale muito a pena visitar a cidade, que é muito bonita.

Além desses principais, experimentamos vááários outros vinhos de muitas regiões da Itália: Primitivo, Bolgheri, Rosso di Montepulciano, Morellino, Poggiarelli, Montepulciano D’Abruzzo, Amarone… 

Não tivemos um estilo de vinho favorito. Normalmente, não sou muito fã da acidez dos Chianti, mas os Chianti Classico (os reserva) me surpreenderam. Tomamos apenas um Bolgheri, e ele estava espetacular. Mas a moral da história é: experimente! São muitos vinhos bons (e alguns bem baratos). Pessoalmente, acho besteira comprar sempre o mesmo vinho, ou a mesma uva. É super interessante conhecer estilos diferentes e, no processo, aperfeiçoar o paladar e entendimento. Não tenha receio de experimentar vinhos dos quais você nunca ouviu falar, pode acabar se surpreendendo.

Onde comprar os vinhos da toscana quando estiver na Itália?

Se você quiser algum vinho especial, precisa ir em uma adega. Comprei vários interessantes na Enoteca Bruno Dalmazio, em Montalcino, inclusive o primeiro da coleção que estou montando pros meus filhos (falaremos disso num post mais pra frente :-). 

Tintin ganhando o primeiro vinho de sua futura adega, na Enoteca Bruno Dalmazio
Tin ganhando seu primeiro vinho para aproveitar em 20 anos 🙂

O atendimento deles foi muito bom e instrutivo. Mas em qualquer cidade é possível encontrar ótimas enotecas.

Para o dia a dia, achamos ótimo comprar no Esselunga, uma rede de supermercados da região que tem um custo-benefício excelente. Lá, comprei um ótimo Brunello por 18 euros. 18 euros! É muito barato pra esse tipo de vinho. 

Encontramos também Chianti Classico por 9 euros, Rosso di Montalcino por 7… o difícil era escolher! Eu acessava o Wifi, abria meu Vivino e ia à caça, rsrs. 

O melhor é que eles tinham uma variedade bem interessante. Compramos em outras lojas grandes também, como Conad e Coop. Mas o Esselunga era, na minha opinião, o mais legal. Espaçoso, preço razoável e ótima variedade.

Ainda bem que trouxemos alguns bons vinhos da Toscana de lá… mas que dá uma saudade, dá!

Criança comendo uvas em Greve in Chianti, onde são feitos os vinhos da Toscana Tin comendo uvas em Greve in Chianti.

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